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Posts Tagged ‘belo’

A arte é tudo que é produzido pelo homem, e não, pela natureza. Por mais que se estude uma obra, estilo ou movimento artístico, sob quantas vezes desejar, ela permanece sublime e como a mais potente representação do espírito humano. O belo é o sensível mais perfeito. Sob a arte, pode-se ter um ponto de vista estético, psicológico, sociológico, histórico, psicanalítico, filosófico, antropológico.

Forma e conteúdo
A forma é o modo pelo qual o pintor utiliza elementos específicos de expressão: as linhas, cores, sombras, luzes, massas e planos e não a simples destreza ou correção de desenhar, de pintar. A forma é o que nos primeiro toca. Na forma estão os valores instintivos, vitais, elementares, permanentes e universais da criação artística.

O conteúdo é aquilo que o pintor representa, descreve ou narra. Tem significação secundária, servindo apenas de suporte aos valores expressivos da forma, pois a finalidade última da pintura não é representar ou narrar acontecimentos, mas, estabelecer relações de harmonia ou de contraste entre as linhas e as cores. No conteúdo estão os valores intelectuais, condicionados pelas circunstâncias históricas e sociais. É a roupagem da contemporaneidade com que se veste aquele impulso vital, para melhor comunicar-se, e a arte poder realizar seu destino social de instrumento de expressão e de comunicação.

Porém conteúdo e forma são elementos que se completam inseparavelmente.

Quando o pintor se preocupa mais com a forma, sua obra é dotada de plasticidade (relacionamento expressivo, numa obra de arte, dos elementos sensíveis: cores, formas, linhas e volume). Quando seu interesse se volta para o conteúdo sua obra possui ilustração.

O valor super-histórico da arte
A arte conserva um valor super-histórico, que permanece acima das transformações históricas e sociais, com as suas concepções religiosas, filosóficas e morais; com suas ciências e técnicas. Os valores permanentes de uma obra de arte independem do regime político em que tenha sido produzida. As obras sobreviverão, tocarão, no futuro, a sensibilidade de outros homens; pelos valores artísticos permanentes e absolutos que possuírem. Sobreviverão por sua forma.
A pintura é um dos meios de que o homem dispõe para exprimir-se e comunicar-se com os seus semelhantes, mediante ou não a representação das imagens visuais da realidade. O valor de permanência e de universalidade está na forma. São comuns a todos os seres humanos, em todos os tempos e lugares. Pairam acima da natureza social do indivíduo. Os valores do conteúdo, ao contrário, dirigem-se à percepção intelectual, bastante diversificada, conforme os efeitos de cultura de cada indivíduo (seu conhecimento do mundo).
A forma está relacionada com a vitalidade do homem, enquanto que o conteúdo relaciona-se com a sua cultura.

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ANEXO – Hípias Maior – análise extraída dos Diálogos de Platão

Diálogo entre Sócrates e Hípias de Élis, que tem por assunto: “O Belo em si (auto to kalon), um traço que seja comum a todos os objetos supostamente belos.”

O que é a beleza? É preciso lembrar que para um Grego, o belo não é apenas um valor estético; a beleza possui uma dimensão moral. Entre o belo e o bem, o Grego não distingue, dois universos. O que é o belo? Sócrates tem grande dificuldade em explicar a necessidade de formulação de uma definição universal (não se define o belo por um exemplo particular: uma bonita mulher).

Eis a questão: Como tu fazes, para saber quais as coisas que são belas e quais as coisas que são feias? Vejamos, serias, tu, capaz de dizer o que é o Belo?

Hípias começa a sua exposição, primeiramente, diz que o Belo é uma bela virgem.  Sócrates refuta a definição, afirmando que uma coisa particular não pode ser o Belo. Além do mais, apresenta a relatividade de uma coisa particular.  Por exemplo, uma bela virgem é feia diante de uma deusa; o jumento, é belo, assim como é bela uma panela de barro cozida.

Para os Gregos, não é possível dissociar o sentido ético do sentido estético. É neste sentido que a panela de barro bem cozido é bela, pois ela é útil. A beleza a qual se refere Platão é, além daquilo que se apresenta nos corpos e nos objetos, como nas obras de arte, a que observamos ou julgamos; ela também se diz das pessoas, das condutas, dos utensílios de cozinha, das leis, da educação, como também dos prazeres, e, de todas as realidades das quais estimamos o valor e a excelência. Então, o Belo não pode ser uma coisa particular, pois existe uma multiplicidade de coisas belas, no entanto, é a causa e se manifesta nas coisas particulares, como se, delas, tomasse posse, porque lhe é intrínseca a necessidade de se manifestar. Neste sentido, é Bela a panela de barro cozido como é Bela a colher de pau retirada de uma figueira. Esta, inclusive, mais bela do que o ouro.

Hípias diz que o Belo é o ouro. Mais uma vez, Sócrates apresenta a limitação da proposta, apontando a estátua da deusa Atena, esculpida por Fídias, que é bela, ainda que seja construída em marfim.

Hípias é conduzido a reconhecer que o Belo é o que convém. Então aparece, mais uma vez, a bela panela de barro cozido. Desta vez, como a que melhor convém para cozinhar um puré de legumes. Sócrates mostra que seria mais conveniente que este puré de legumes fosse mexido com uma colher retirada de uma árvore de figueira do que com uma colher de ouro.

Hípias afirma que O que há de mais belo para um homem em todos os tempos e lugares e para todos é ser rico, bem situado e honrado pelos Gregos; alcançar a velhice, ter feito aos seus parentes belos funerais e receber, ele próprio, dos seus filhos um belo e magnífico enterro. Sócrates ironiza as palavras do sofista.

Sócrates é requisitado para trazer as suas definições. Primeiramente, afirma que o Belo é aquilo que é útil. Por sua vez, o que é inútil é feio.

A seguir, Sócrates afirma que aquilo que é vantajoso é o Belo. As duas definições situam-se tanto no campo ético quanto no estético, mostrando que não há, para os Gregos, a separação.

Afinal, o filósofo define o Belo como o que nos dá prazer, sendo este proporcionado pela visão e pelo ouvido, ou seja, o Belo é permissível através dos sentidos. Chega-se à conclusão de que o Belo somente se dá a conhecer, utilizando canais sensitivos. Por outro lado, Ele somente existe porque existem a música, as artes plásticas, a poesia, a arquitetura. O Belo é o prazer que sentimos nas coisas oferecidas pela visão e pelo ouvido.  Portanto, o Belo é tanto o que é útil como o que convém; também é Belo o que podemos ver ou ouvir: uma escultura de Fídias como uma panela de barro cozido ou uma colher de figueira; uma bela música, um poema ou um belo discurso.

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