Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘guildas’

         Em Delft, na Holanda, nasceu Vermeer.

         Atribui-se a sua autoria menos de 35 pinturas, que não puderam ser datadas com segurança até hoje. Essa escassa produção deve-se à meticulosidade e lentidão com que pintava seus quadros que, apesar de bem valorizados, foram insuficientes para quitar suas dívidas e garantir o sustento de seus muitos filhos – mesmo sendo ele que desenvolvia as atividades de comerciante e avaliador de obras de arte, paralelamente ao trabalho de atelier.

A representação da vida doméstica era seu tema básico. As imagens criadas por Vermeer costumam apresentar um momento íntimo de uma ou duas figuras no interior de suas habitações em um momento iluminado do dia.   

Sua técnica era de extremo naturalismo nas representações das texturas e do brilho de materiais preciosos, e seus quadros são concebidos numa tonalidade clara e num cromatismo intenso e harmônico. 

O resultado desse domínio artístico e intelectual na elaboração de seus quadros é a simplicidade surpreendente na percepção do conjunto. O que há de mais singelo em nosso cotidiano, aos olhos de Vermeer, transforma-se em algo de forte carga espiritual, tanto em suas pinturas de gênero, como em suas poucas obras de paisagem. 

Nos dias de Vermeer, os pintores trabalhavam nas guildas (corporações de ofícios). A pintura não era considerada realmente uma arte, mas um artesanto, como a tecelagem. Os pintores vendiam seu trabalho ao aristocrata rico.
Vermeer pintou uma série de retratos, freqüentemente caracterizados com efeitos artísticos, tais como a queda da luz em telas finas, na pele macia, ou em um brinco de pérola.
        A inexistência da devoção a imagens nos cultos protestantes desvinculou a Arte da Igreja. Além disso, a ausência, nas Províncias Unidas, de uma cultura palaciana, propiciou o desenvolvimento de uma arte mais singela e de temáticas do cotidiano da classe média, diferente da monumentalidade e dos temas eruditos (históricos e mitológicos), praticados em países mais ao sul da Europa.
       O desenvolvimento de um forte comércio interno e internacional e da indústria artesanal enriqueceu a classe média, em especial os comerciantes e industriais. Essa burguesia rica concentrava o poder político e econômico, e determinava o gosto por temáticas artísticas do cotidiano. A opulenta classe média holandesa encomendava quadros para decorar suas casas e o tamanho das pinturas teve que ser adequado à escala dessas habitações – as grandes dimensões, comuns em quadros da corte, ficaram destinadas apenas aos prédios públicos.

Anúncios

Read Full Post »

O termo Gótico vem da palavra “godos”, uma tribo bárbara. Os bárbaros eram agrupamentos humanos que invadiram o Império Romano.  Eram povos nômades que vivam da coleta e da guerra.  Bárbaro era todo indivíduo que não tinha a língua e a cultura romana.  Procuravam facilidade de sobrevivência e comida, através de saques e invasões de terras férteis.  Eram exímios guerreiros e chegaram a derrotar as legiões romanas que ousaram ultrapassar o limite dos Rios Reno e Danúbio.  Os bárbaros se dividiam em três grupos: germanos (visigodos, ostrogodos, hérulos, francos, suevos, saxões, godos e anglos); eslavos (russos, poloneses e tchecos); e mongóis (turcos, búlgaros e hunos).

No final do século I a.C., os bárbaros ameaçaram a civilização romana.  Na França, os gauleses, assim como os bretões, na Inglaterra, haviam adotado as roupas e os costumes romanos.  Mas a Gália foi conquistada pelos teutões que habitavam a outra margem do Reno e, por volta do século V, a dinastia dos reis merovíngios dominava a maior parte do país. 

Os merovíngios formaram uma dinastia franca que governou sobre um vasto conjunto de territórios que chegou a abranger a moderna França e partes da Alemanha e Suíça, entre os séculos V e VIII da era cristã.  Esses, devem seu nome a Meroveu, rei semi-lendário dos Francos Sálios e fundador da dinastia.  O seu neto Clóvis foi o responsável pela conversão dos francos, do paganismo ao Cristianismo, e pela unificação territorial dos reinos francos, tendo ainda derrotado os Visigodos. 

“Quando os carolíngios sucederam aos merovíngios, a vida luxuosa aumentou.”[1] 

No século VIII, Carlos Magno tornou-se o soberano, controlando um território que praticamente correspondia à França e à Alemanha.  Partiu dele a última tentativa de resgate da centralização do poder político.  Assim, pretendia recriar o império Romano do Ocidente, com ele à frente, como Imperador.

Nos séculos XIII e XIV, num processo de enriquecimento da Europa, há o fortalecimento e o desenvolvimento das atividades mercantis.  Surge um novo estrato social, a burguesia. Este burguês, novo rico, quer se parecer ao máximo com a nobreza e investe em aparência, usando tecidos caros e jóias.  Nesse momento, na França, Espanha e Itália surge o revide da nobreza com a multiplicação das Leis Suntuárias, alegando o esbanjamento de metais preciosos e gastos indevidos com produtos importados, mas, no fundo, era uma tentativa de colocar cada um no seu lugar novamente. Mas a imitação do vestuário nobre continua, à medida que a classe média vai surgindo, juntamente com a burguesia: advogados, pequenos comerciantes.

Na metade do século XIV, uma grande revolução acontece: eis que definitivamente surge a moda. Homens e mulheres passam a se vestir de maneira diferente, adquirindo cada qual novas formas.  Ao contrário de anteriormente, em que as túnicas se assemelhavam, para homens e mulheres; a partir do estabelecimento das formas femininas e masculinas, as roupas passaram a se modificar, em períodos de tempo cada vez mais curtos.  Antes, passavam-se séculos e as vestimentas não se alteravam em nada.   Agora, os saltos da moda eram dados, para manter o status da nobreza, pois seus trajes eram copiados por burgueses e pequenos burgueses, num efeito cascata.

A moda não era mais originária de uma memória coletiva, mas o reflexo do gosto e da preferência de reis e poderosos. O vestuário se torna uma forma individual de expressão, pois era preciso manter o afastamento social, e a fórmula encontrada era a constante renovação. 

O consumo das classes superiores obedece ao princípio do esbanjamento ostentatório, atraindo a estima e a inveja, o que, não deixa de representar uma eterna luta de classes. Considerando-se a nobreza e a burguesia emergente, podemos notar esse nascimento do gosto pelas novidades.  Mas, nas classes menos favorecidas, sabemos que existe sempre uma tendência à não aceitação do novo.  Extremamente tradicionais, não adotam mudanças facilmente, uma vez que suas condições também impedem a constante renovação.  Além de serem atingidos pelas Leis Suntuárias, que, em épocas de crise, restringiam os gastos imoderados e o luxo, estas classes, que também eram compostas de membros pertencentes às guildas (corporações de ofício), mestres e aprendizes, sabiam que se vestir de acordo com a hierarquia era um motivo de orgulho e tradição.  Abandonar o traje que os distinguia dos demais, para adotar modismos, estava fora de questão, porque corriam o risco de ser expulsos de suas corporações.


[1] DURAND, José Carlos. Luxo e economia.

Use o campo do comentário:

Na sua opinião, esse contexto histórico influenciou no surgimento do estilo Gótico e porque?

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: